Meio Ambiente

O veranico é fato e já justifica a decretação de situação de emergência seca no município de Montes Claros. É o que indica o relatório pluviométrico (comparativo 2008/2009/2010), elaborado pelos técnicos da Secretaria Municipal de Agropecuária e Abastecimento e encaminhado, semana passada, ao diretor da Defesa Civil no município, Walter Orlando Andrade Camargo. No documento estão registrados o resumo da precipitação pluviométrica e o relatório de perdas da safra de grãos (em situação normal chegaria a 350 toneladas), olericultura, fruticultura, sorgo e forrageiro - que no momento apresentam queda em torno de 40%. Os relatórios são acompanhados de registros fotográficos, de reportagens dos jornais da região e de material publicado no site da própria Prefeitura, chamando atenção para a “seca verde”.
Em comunidades como a de Mocambo Firme, visitada recentemente pelo secretário Roberto Mauro Amaral, a situação já beira o desespero. Na propriedade de João Cardoso, 67 anos, o pasto está comprometido e a lavoura de milho quase toda perdida, em que pese ter chegado bem à fase de embonecamento. “É um momento crucial, quando a lavoura mais precisa da chuva, que infelizmente não veio. Praticamente está tudo perdido”, lamentou.
O poço artesiano perfurado às margens do Córrego Mucambo Firme, que serve às propriedades da comunidade, está com vasão tão comprometida que João Cardoso já se preocupa com a sobrevivência da criação. “No nosso caso, a situação fica ainda pior porque a produção de queijo artesanal é o carro-chefe. Sem pasto e água, as vacas não produzem leite. Já estou pensando em alugar pastos em outra região”, frisou, dizendo-se preocupado também com a água para abastecimento humano.
Os dados da Secretaria de Agropecuária e Abastecimento embasarão os relatórios da Defesa Civil de Montes Claros, que repassará o panorama da situação à administração, para decretação de eventual situação de emergência seca no município. No momento, cerca de 50 municípios norte-mineiros já tomaram essa providência, necessária a que os governos municipais e estadual tomem providências excepcionais para atender as populações do campo. A previsão é de que venham momentos muitos difíceis, já que a precipitação pluviométrica este ano está muito aquém do esperado. Para se ter uma ideia, em janeiro e fevereiro do ano passado choveu 450 milímetros, contra apenas 50 milímetros em igual período deste ano.