Amazônia
Floresta Amazônica
Comparada à Mata Atlântica, a Amazônia se encontra em uma situação muito mais positiva em termos de devastação. Mas nem por isso há motivos para não proteger a floresta. Os números e estatísticas mostram que, se não forem tomados os cuidados e medidas necessários o mais rápido possível, o destino da Floresta Amazônica será tão triste como o da Mata Atlântica.
Para se ter uma idéia, segundo o Inpe, a Amazônia sofreu um deflorestamento de mais 520 mil km2 de 1978 a 1998. Pesquisas realizadas pelo próprio governo apontaram que o desmatamento anual da Amazônia cresceu 34% de 1992 a 1994. A taxa anual, que era de pouco mais de 11.000 km2 em 1991, já ultrapassou 14.800 km2.
Os grandes causadores da degradação progressiva são a atividade agrícola de forma não-sustentável e a extração madeireira, que tende a aumentar na medida em que os estoques da Ásia se esgotam. De acordo com a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, 80% da produção madeireira da Amzônia provém da exploração ilegal.
Embora o Brasil tenha uma das mais modernas legislações ambientais do mundo, o bloqueio à devastação esbarra na falta de fiscalização sobre a produção e área de atuação das madeireiras. Oficialmente, hoje existem 22 madeireiras estrangeiras operando na Amazônia. A falta de controle por parte das autoridades e órgãos competentes, o que abre caminho para atividades altamente destrutivas para a floresta, é demonstrada, por exemplo, com o número de desperdício da madeira extraída (leia-se árvores derrubadas que não têm uso nenhum): ele gira em torno de 60 e 70%.
As características do ecossistema amazônico
Apesar de abrigar mais de um terço das espécies de animais e plantas existentes no planeta, a Amazônia é um ecossistema frágil. Cerca de 62% do solo da Amazônia são de baixo ou nulo potencial agrícola, o que faz com que a extração de madeira seja a principal atividade econômica. A floresta então vive do seu próprio material orgânico e, por esse motivo, o menor desequilíbrio pode causar danos irreversíveis.
Maior floresta tropical contínua do mundo, a Amazônia tem 5,5 milhões de km2, sendo que 60% estão em território brasileiro. O restante se divide entre as duas Guianas, Suriname, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia. Além de serem encontradas na floresta cerca de 2.500 espécies de árvores __ um terço da madeira tropical do mundo __, a Amazônia abriga uma quantidade muito grande de água.
O Rio Amazonas, a maior bacia hidrográfica do mundo, cobre uma extensão de 6 milhões de km2, cortando a floresta até desaguar no Oceano Atlântico. Nas águas do Amazonas se encontra o maior peixe de água doce do mundo: o pirarucu, que pode atingir até 2,5 metros.
A exuberância biológica da floresta é comprovada com a fauna e flora local. Das 100 mil espécies de plantas que ocorrem em toda a América Latina, 30 mil estão na Amazônia. Quanto à fauna, várias espécies habitam os diferentes extratos da floresta. Os insetos estão presentes em todos os extratos da floresta.
Os animais rastejadores, os anfíbios e aqueles com capacidade para subir em locais íngremes, como o esquilo, exploram os níveis baixos e médios. Os locais mais altos são explorados por beija-flores, araras, papagaios e periquitos à procura de frutas, brotos e castanhas. Já os tucanos, voadores de curta distância, exploram as árvores altas.
O nível intermediário é habitado por jacus, gaviões, corujas e centenas de pequenas aves. No extrato terrestre estão, entre outros, os jabutis, cutias, pacas, antas. Os mamíferos aproveitam a produtividade sazonal dos alimentos, como os frutos caídos das árvores e servem de alimento para felinos e cobras de grande porte.
O processo de devastação
Mais de 12% da área original da Floresta Amazônica já foram destruídos devido a políticas governamentais inadequadas, modelos inapropriados de ocupação do solo e pressão econômica, que levou à ocupação desorganizada e ao uso não-sustentável dos recursos naturais.
Muitos imigrantes foram estimulados a se instalar na região e acabaram levando métodos agrícolas impróprios para a floresta. Esse processo levou a degradação de terras que eram essenciais à sobrevivência de alguns povos nativos da Amazônia, como índios, seringueiros e ribeirinhos, que tiram dos recursos naturais da floresta sua subsistência.
A ocupação da região amazônica se intensificou na década de 40, quando o Governo começou a estimular, através de incentivos fiscais, a implantação de projetos agropecuários na área. Resultado: as queimadas e o desmatamento tornaram-se mais constantes na região.
O extrativismo vegetal e animal sempre foi a principal atividade econômica da Amazônia e a tentativa de implantar projetos de colonização agrícola foi um dos maiores erros de planejamento governamental já cometidos.
A intenção de transformar a Floresta Amazônica em uma região produtora de grãos e carne bovina causou prejuízos econômicos e sociais, como a marginalização da população mais pobre e de povos nativos.
Até o final de 1990, mais de 415 mil km2 tinham sido desmatados. O total da área queimada foi 2,5 vezes maior. Em algumas localidades, como Porto Velho (RO), os aeroportos chegaram a ser fechados algumas vezes por causa da fumaça das queimadas. Outra forma de destruição foram os alagamentos para a implantação de usinas hidrelétricas, como foi o caso da Usina de Balbina, ao norte de Manaus. A atividade mineradora também causou graves consequências ambientais, como a erosão do solo e a contaminação dos rios com metais pesados, como o mercúrio.
Fonte: www.institutoaqualung.com.br